Fatos centrais (com aviso sobre fonte única)
Segundo reportagem do Tokenpost, uma aliança chamada “Open Standard”, composta por empresas de pagamento e bancos, com mais de 140 instituições participantes, lançou uma stablecoin chamada Open USD (OUSD), e a reportagem afirma que a ação da Circle (ticker CRCL na bolsa americana) caiu fortemente em seguida. Entre os membros da aliança citados na reportagem estão Stripe, BlackRock e Coinbase. Diferente do modelo da USDT e da USDC, em que o emissor detém exclusivamente os juros das reservas, o OUSD foi desenhado para devolver a maior parte dos rendimentos a participantes do ecossistema, como apps de pagamento e parceiros da rede.
Primeiro, a questão da transparência: até o momento da publicação deste texto, encontramos apenas essa fonte única em coreano e ainda não localizamos, em veículos financeiros de referência em inglês nem em canais oficiais da Open Standard ou da Circle, confirmação independente para os dois números específicos citados — “140 instituições” e “queda de 17% em um dia na ação da Circle”. Por isso, este texto separa claramente o conteúdo da reportagem da nossa análise: os números são tratados como “segundo essa reportagem”, sem serem apresentados como fatos já verificados nem como base para conclusões definitivas. Leitores que quiserem checar a posição oficial da Circle sobre reservas e estrutura de rendimentos podem consultar diretamente a página oficial de transparência da Circle.
Leitura da redação · Impacto real para usuários de cartões USDT
Vamos direto à conclusão: o epicentro dessa notícia está no modelo de negócio do emissor, não na disponibilidade do USDT que está na sua carteira.
A lógica do dia a dia da maioria dos cartões virtuais em USDT — incluindo o MPCard, nossa escolha editorial, com sua variante Asia Elite, e o Bybit Card — funciona assim: “você recarrega em USDT, e o cartão converte para moeda fiduciária no momento da compra”. Essa cadeia depende do resgate e da liquidez do USDT, não de “quem fica com os juros das reservas”. O que o OUSD desafia é se o emissor lucra ou não com os juros, não se a stablecoin consegue honrar a paridade 1:1. Portanto:
- Nos próximos 7 dias: dificilmente haverá qualquer mudança perceptível no uso diário do cartão, em cobranças de assinaturas ou em recargas.
- Nos próximos 30 dias: vale acompanhar o sentimento do mercado secundário. Se a volatilidade da ação da Circle for amplificada em uma narrativa de “risco para o setor de stablecoins”, algumas exchanges podem ajustar temporariamente a profundidade de conversão entre USDC e USDT — o que praticamente não afeta usuários que fazem aporte em USDT, mas pode acrescentar um passo extra para quem costuma usar USDC como intermediário.
- Nos próximos 90 dias: o ponto realmente interessante é se o “modelo de devolução de juros” vai pressionar os emissores atuais a repassar mais benefícios. Se o OUSD conseguir ganhar escala, em tese isso amplia a margem de repasse para os canais parceiros e, no longo prazo, poderia se traduzir em otimização das taxas dos emissores de cartão — mas isso é uma disputa de longo prazo, não espere que se concretize em um trimestre.
Para comparar taxas e rotas de liquidação entre diferentes cartões, veja o Top 5 de cartões USDT em 2026 e a comparação das menores taxas.
Comparação histórica: o que muda em relação a 2023
Ao ouvir “Circle”, “stablecoin” e “queda forte” juntos, é natural associar de imediato ao desancoramento da USDC em março de 2023 — quando o Silicon Valley Bank quebrou e a USDC chegou a cair abaixo de US$ 0,88, impactando diretamente todos os cartões liquidados em USDC.
Mas as duas situações têm naturezas completamente diferentes:
- Desancoramento da USDC em 2023: foi uma crise de capacidade de resgate — parte das reservas estava presa em um banco que quebrou, afetando diretamente a capacidade dos detentores de resgatar 1:1. Esse é o tipo de situação que realmente deveria preocupar o titular do cartão.
- O caso OUSD: segundo a reportagem, é um evento de disputa competitiva e divisão de lucros. Não questiona se a USDC ou a USDT conseguem honrar resgates, mas sim disputa a fatia de juros que hoje fica com o emissor. O risco direto de resgate para o titular do cartão é praticamente zero.
Uma comparação histórica mais adequada seria a entrada do PYUSD (stablecoin do PayPal) em 2023 — na época também foi interpretado como “gigante desafia Tether/Circle”, houve volatilidade de curto prazo no mercado, mas a experiência real dos usuários finais de cartão quase não mudou. O ganho de informação aqui é este: não confunda “disputa por lucro” com “risco de desancoramento”.
Perspectiva regulatória e de conformidade
O OUSD ainda não tem posicionamento regulatório público em nenhuma jurisdição, e não vamos especular sobre seu status de conformidade. O que tem valor prático para usuários de cartões USDT é a postura da sua jurisdição em relação aos próprios cartões de stablecoin — um terreno que vem se fechando ou se definindo rapidamente nos últimos anos:
- União Europeia: o marco MiCAR já enquadra a emissão e a circulação de stablecoins de forma explícita; qualquer nova stablecoin que queira operar na UE precisa cumprir exigências de reserva e divulgação — veja o guia de conformidade da UE.
- Hong Kong: a lei de stablecoins já está em fase de implementação, com exigência de licença para emissores — veja o guia de conformidade de Hong Kong.
- Singapura: a MAS tem regras claras sobre reservas e resgate de stablecoins — veja o guia de conformidade de Singapura.
Para leitores da Ásia-Pacífico: hoje, usar cartões virtuais em USDT está, na maioria das jurisdições da região, em uma zona cinzenta de posse e consumo pessoal — mas sem proibição explícita. O que de fato está sendo restringido é a emissão pública de stablecoins — e é exatamente esse o obstáculo que novos entrantes como o OUSD precisam enfrentar, algo bem diferente do uso pessoal do seu cartão.
Pontos-chave para acompanhar a seguir
- Confirmação cruzada com fontes em inglês: nos próximos dias, verificar se Reuters, Bloomberg ou o site oficial da Open Standard trazem confirmação de primeira mão sobre “140 instituições” e o “lançamento do OUSD”. Sem confirmação independente, trate como “a verificar”.
- Resposta oficial da Circle: acompanhar a página de transparência da Circle e comunicados de relações com investidores sobre a ação e o cenário competitivo.
- Movimentos das exchanges: se as principais exchanges vão listar pares de negociação com OUSD e se vão ajustar a profundidade de conversão entre USDC e USDT — esse é o único elo que pode afetar indiretamente o custo de conversão dos usuários de cartão.
- Anúncios de taxas dos emissores: se MPCard, Bybit e outros emissores ajustarem taxas nos próximos 30 a 90 dias — a página oficial de taxas de cada emissor sempre prevalece.
Recomendações da redação
- Usuários do MPCard e do Bybit Card que fazem aporte em USDT: nenhuma ação necessária. Essa notícia não afeta suas recargas, seus gastos nem a liquidação do seu cartão.
- Usuários que costumam usar USDC como intermediário para recarregar o cartão: não há motivo para pânico, mas se notar profundidade de conversão de USDC anormal em alguma exchange, basta usar aporte direto em USDT para contornar o problema — evite conversões de valor alto em momentos de forte emoção do mercado.
- Usuários do Coinbase Card ou fortemente envolvidos no ecossistema USDC: recomenda-se acompanhar a divulgação de reservas pela página oficial de transparência da Circle, sem ajustar posições com base em uma única reportagem em coreano.
- Usuários planejando solicitar um novo cartão USDT: siga escolhendo normalmente conforme sua necessidade — esse evento não é motivo para adiar a decisão; comece pelo Top 5 de 2026 para encontrar o produto mais adequado.
Quando a verificação é insuficiente, preferimos tirar menos conclusões. O único ponto realmente certo nessa notícia é este: a competição está se intensificando, e, no longo prazo, uma competição mais intensa tende a ser boa notícia para o titular de cartão final, não uma má notícia.