A segmentação do KYC é uma solução de equilíbrio que os emissores de cartão encontram entre “obrigação de compliance” e “experiência do usuário”. Quanto mais baixo o nível, mais simples a verificação, mas menores o limite e as funções disponíveis; quanto mais alto o nível, mais documentos são exigidos, mas mais permissões são desbloqueadas. Cada emissor define de forma diferente os critérios específicos e os limites de cada nível, mas a lógica da hierarquia de documentos é bastante consistente: contato → identidade → origem financeira.
L1: verificação básica — apenas telefone/e-mail
O L1 é o requisito mínimo para abrir uma conta. Normalmente exige apenas:
- Código de verificação por telefone ou e-mail
- Definição de senha de login/PIN
- Aceite dos termos de serviço
Nesse nível, o cartão obtido serve praticamente só para teste de baixo valor: verificar se o cartão pode ser vinculado ao Apple Pay ou se passa em determinado comerciante. O limite mensal de consumo costuma ser bem baixo, e frequentemente não é possível sacar em caixa eletrônico nem fazer pagamentos internacionais de alto valor. O L1 existe principalmente para permitir que o usuário experimente o produto antes de enviar a documentação completa.
Julgamento editorial: se você pretende usar um cartão a longo prazo para vincular assinaturas como ChatGPT Plus ou Claude Pro, não fique no L1. Usuários em L1 estão mais sujeitos a ter o limite congelado em massa quando as regras de controle de risco se tornam mais rígidas.
L2: verificação de identidade — o padrão da maioria dos usuários
O L2 é o nível-alvo da grande maioria dos usuários de varejo. Requisitos típicos:
- Documento de identidade emitido pelo governo (passaporte/carteira de identidade/carteira de motorista)
- Reconhecimento facial ao vivo (comparado com o documento)
- Alguns emissores também exigem vinculação de e-mail principal e informação sobre profissão
Ao concluir o L2, as capacidades desbloqueadas geralmente incluem: limite mensal de consumo significativamente maior, saque em caixa eletrônico, uso internacional e vinculação a carteiras de pagamento populares. Nesse nível, o emissor já atende às exigências de compliance da maioria das jurisdições para identificação de clientes pessoais, por isso está disposto a elevar o limite a um patamar “suficiente para o dia a dia”. Os números específicos seguem a página oficial de cada emissor — aqui não listamos limites concretos, para evitar informações imprecisas. Para uma comparação detalhada, veja as tabelas oficiais de limites nas análises da MPCard, da Bybit Card e da RedotPay.
L3: diligência reforçada — alto patrimônio e clientes institucionais
O L3 (também chamado de EDD, Enhanced Due Diligence) é destinado a usuários de alto volume. Além de toda a documentação do L2, é preciso apresentar também:
- Comprovante de endereço: contas de água/luz dos últimos 3 meses, extrato bancário ou correspondência governamental
- Comprovante de origem dos fundos: holerite, declaração de imposto de renda, contrato de venda de imóvel, captura de tela de posições em cripto, entre outros
- Algumas plataformas exigem também, para clientes institucionais, documentos de registro da empresa e declaração do UBO (beneficiário final)
O L3 desbloqueia não apenas limites mais altos, mas também depósito em conta corporativa, BIN personalizado e atendimento exclusivo. O prazo de análise também é mais longo, geralmente exigindo de 1 a 5 dias úteis para verificação manual.
Diferenças entre cartões: mesmo rótulo, requisitos diferentes
Vale destacar: mesmo sendo chamado de L2, os documentos exigidos e o limite concedido por diferentes emissores podem variar bastante. Algumas plataformas exigem apenas documento de identidade + selfie no L2, enquanto outras pedem ainda o preenchimento de questionário e a vinculação do histórico em exchanges. Antes de decidir para qual nível subir, recomenda-se consultar diretamente a página oficial de KYC do cartão-alvo para verificar a lista de documentos exigidos e a tabela de limites vigente, já que esses números mudam conforme a política de compliance é ajustada.
Recomendações editoriais
- Faça: depois de escolher o cartão-alvo, complete o L2 de uma só vez, evitando ter que enviar documentos adicionais depois — e correr o risco de congelamento de saldo — quando o controle de risco disparar.
- Não faça: não use o L1 indefinidamente “por comodidade” para movimentar assinaturas de alto valor, nem envie a documentação do L3 de forma apressada sem estar completa — documentação incompleta pode até gerar um registro negativo.
Leituras complementares sobre o contexto regulatório: situação de compliance do USDT card na UE, situação de licenciamento em Hongkong; se você está considerando um “cartão sem KYC”, veja antes os riscos dos cartões sem KYC.