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Consulta sobre a revisão MiCA 2.0: impacto real para utilizadores europeus de cartões USDT

2026-06-21

A Comissão Europeia abriu uma consulta pública sobre a revisão do Regulamento dos Mercados de Criptoativos (MiCA), amplamente designada pelo setor como “MiCA 2.0”. A consulta centra-se em duas frentes: as regras de emissão e detenção de stablecoins (na terminologia da MiCA, divididas em EMT — tokens de moeda eletrónica — e ART — tokens referenciados a ativos) e os protocolos DeFi, atualmente praticamente excluídos do âmbito da MiCA 1.0. As disposições da MiCA relativas a stablecoins entraram em vigor em 30 de junho de 2024, com as restantes disposições plenamente aplicáveis desde 30 de dezembro de 2024; após cerca de um ano e meio de aplicação, a Comissão começa agora a avaliar quais as disposições demasiado restritivas e onde existem lacunas. Trata-se de um exercício de “avaliação + ajuste”, não de uma reformulação total — a própria consulta não altera nenhuma legislação em vigor.

O que isto significa para utilizadores europeus de cartões USDT

O mais diretamente afetado são os utilizadores que associam o cartão a saldos em euro/USDT junto de emitentes regulados na UE. No atual quadro da MiCA, os cartões operados em conformidade e destinados a utilizadores de retalho na UE exigem geralmente que a stablecoin subjacente seja um EMT em conformidade, ou que haja conversão para euro na fase de liquidação. É por isso que o USDT se encontra numa posição incómoda no retalho da UE — a Tether ainda não obteve autorização como EMT na UE.

Em termos concretos, quanto aos cartões: produtos dependentes de depósitos em euro e destinados a residentes da UE, como o Wirex e o Crypto.com Visa, estão diretamente sujeitos à MiCA — a sua estrutura de taxas, as stablecoins disponíveis e a política de juros seguem as disposições da MiCA. Já produtos centrados em linhas Ásia-Pacífico, como o MPCard e o Bybit Card, têm a sua abertura a residentes da UE já condicionada pela MiCA — se esta revisão flexibilizar os limites de detenção de EMT, poderá, em teoria, ampliar o alcance destes produtos na UE.

Sobre o calendário, vale ser realista:

Para os limites detalhados de aplicação regional, consulte o nosso guia de conformidade na UE.

Comparação histórica: em que difere da entrada em vigor da MiCA em 2024

Quando a MiCA entrou plenamente em aplicação em 2024, o mercado passou por uma verdadeira onda de restrições — várias exchanges limitaram funcionalidades de stablecoins não conformes, incluindo o USDT, para utilizadores da UE, uma vez que a MiCA impôs restrições rígidas à emissão e disponibilização de EMT não autorizados. Foi um ajuste forçado provocado pela entrada em vigor da lei.

Esta “MiCA 2.0” tem natureza completamente diferente: encontra-se na fase inicial de um processo legislativo de revisão, equivalente ao período de discussão e elaboração da MiCA 1.0 em 2022–2023, e não à fase de aplicação de 2024. Confundir as duas leva a avaliações erradas do ritmo real.

Outro ponto de comparação relevante é o episódio de desvalorização temporária do USDC em 2023 — que expôs riscos de transparência das reservas de stablecoins. O quadro de EMT da MiCA é precisamente uma resposta institucional a essas questões de reservas, direitos de reembolso e proibição de juros. A discussão na consulta da MiCA 2.0 sobre “se deve ser permitido às EMT pagar juros aos detentores” e “se os limites de detenção são demasiado restritivos” é, no fundo, uma recalibração dessa lógica de risco de 2023 — desta vez trata-se de um ajuste a posteriori, não de legislação preventiva.

Fronteiras regulatórias: o que é atualmente permitido

Para residentes da UE, as fronteiras atuais são relativamente claras:

Os pontos repetidamente mencionados pelo setor na consulta da MiCA 2.0 são os limites de detenção de EMT (atualmente considerados demasiado restritivos para pagamentos diários de valor elevado) e a proibição de juros. Se estes forem flexibilizados, será positivo para quem usa cartões USDT/euro na UE; se forem mantidos ou reforçados, a situação atual continua. Para saber que cartões são atualmente mais favoráveis a residentes da UE, consulte a seleção de cartões para residentes da UE.

Marcos a acompanhar

  1. Data limite da consulta pública: a confirmar pela data oficial publicada na página de finanças digitais da Comissão Europeia — determina o ritmo dos próximos rascunhos.
  2. Resumo do feedback da Comissão: após o encerramento da consulta, publica-se geralmente um resumo das opiniões, que revela a orientação sobre a revisão dos limites de detenção de EMT e da proibição de juros.
  3. Pareceres técnicos da EBA/ESMA: as normas de execução concretas das disposições sobre stablecoins são elaboradas por estas duas entidades, e as suas posições são mais operacionais do que o texto orientador da Comissão.
  4. Anúncios de produto de grandes emitentes: se emitentes como a Wirex ou a Crypto.com ajustarem as stablecoins disponíveis ou as taxas na UE, isso é frequentemente um sinal precoce da orientação política.

Recomendação editorial

Se não residir na UE e utilizar um cartão de linha Ásia-Pacífico, esta notícia praticamente não tem impacto direto sobre si atualmente — pode voltar a sua atenção para o top 5 de cartões a acompanhar em 2026.