Segundo reportagem do veículo alemão BTC-ECHO, publicada em 3 de junho, Stripe, Visa e Mastercard estariam próximas de lançar uma plataforma de stablecoin construída em conjunto, com a Coinbase também avaliando participar. É preciso deixar claro desde já: até o fechamento deste texto, nenhuma das três empresas publicou qualquer declaração oficial. A informação se apoia atualmente em uma única fonte, a BTC-ECHO, e o próprio texto original usa o verbo “sollen” (que “deveriam”, em tom de incerteza). Portanto, isso não é uma notícia “já consolidada”, mas um sinal precoce de que “a infraestrutura pode estar se movendo”. Classificamos a relevância em 6 — vale registrar, mas ainda não é motivo para mudar qualquer decisão prática.
Por que esse boato ainda merece atenção de quem usa cartão U
Se sua única preocupação é “esse cartão que tenho vai continuar funcionando amanhã?”, a resposta é: nada muda. Mesmo que isso se confirme, o que está em jogo é a infraestrutura de compensação e liquidação de pagamentos, não o saldo em ₮ da sua conta, nem a autorização de emissão de nenhum cartão específico.
Mas, olhando para um horizonte mais longo, a lógica é diferente. Hoje, praticamente todos os cartões virtuais USDT do mercado — seja o MPCard, nossa escolha editorial, seja o Coinbase Card ou o Crypto.com Visa — têm, na ponta do “cartão”, uma operação que roda essencialmente sobre as redes de compensação da Visa e da Mastercard. Você carrega stablecoin, mas o que sai como transação é uma autorização em moeda fiduciária; o trecho intermediário — a conversão e liquidação de “stablecoin para fiat” — hoje é montado de forma independente por cada emissor.
Se Visa e Mastercard, junto com a Stripe (e possivelmente a Coinbase), transformarem essa etapa em uma camada padronizada de liquidação em stablecoin, os emissores de cartões deixariam de precisar reinventar essa engrenagem sozinhos. Em tese, isso reduziria custos intermediários e encurtaria o tempo de liquidação. O benefício mais visível para o usuário provavelmente apareceria no spread cambial e nas tarifas de transações internacionais — mas essa é uma história de 12 meses ou mais, não de 12 dias.
Expectativas razoáveis em diferentes janelas de tempo:
- Em 7 dias: nada muda. É esperar por uma confirmação ou negação oficial das três empresas.
- Em 30 dias: se houver anúncio oficial, o ponto a observar é se ele especifica qual stablecoin (USDC? ou múltiplas moedas abertas) e quais regiões entram primeiro.
- Em 90 dias: observar se algum emissor de cartão anuncia integração com essa camada de liquidação. Esse é o sinal que realmente se relaciona com o seu cartão.
Se a Coinbase participar, vale atenção especial para quem tem Coinbase Card, já que ela pode ser a primeira a aplicar essa infraestrutura em seu próprio produto de cartão.
Comparação histórica: semelhanças e diferenças em relação ao piloto da Visa com USDC em 2021
Essa não é a primeira vez que a Visa se aproxima de liquidação em stablecoin. Em 2021, a Visa já havia iniciado um piloto usando USDC para liquidação na rede Ethereum (veja a página oficial da Visa sobre cripto e liquidação).
Semelhança: a proposta central é a mesma — inserir a stablecoin na etapa de liquidação da rede de cartões, reduzindo o atrito da compensação tradicional em moeda fiduciária.
Três diferenças, e todas mais relevantes:
- Mais participantes envolvidos. Em 2021, era um piloto unilateral da Visa; desta vez, o boato envolve simultaneamente as duas grandes redes de cartão, Visa e Mastercard, além da Stripe, uma das maiores processadoras de pagamento do mundo. Se as duas grandes redes entrarem juntas, isso deixa de ser “o experimento de uma rede” e passa a ser uma disputa por padrão de fato em nível de setor.
- O ambiente regulatório mudou. Em 2021, as stablecoins existiam em um vácuo jurídico quase total; entre 2024 e 2025, a MiCAR da União Europeia já estabeleceu regras claras para stablecoins (chamadas de EMT/ART no âmbito da MiCAR), e a legislação americana sobre stablecoins também avança. Uma plataforma de liquidação que nasce dentro de um marco regulatório tem velocidade e grau de certeza de implementação muito diferentes.
- Orientação mais voltada a “infraestrutura”. Em 2021, o foco era a liquidação voltada a comerciantes; desta vez, a descrição soa mais como uma base compartilhada por emissores de cartão e comerciantes.
Em resumo: da vez passada foi um experimento isolado; desta vez (se confirmado) parece mais uma tentativa de transformar o experimento em produto padronizado.
Regulação e conformidade: por que classificamos como “eu”
Classificamos esta notícia na região eu não porque os promotores estejam na Europa, mas porque a União Europeia é hoje o único grande merc