Segundo reportagem da Protos, a Tether (emissora do USDT) e a Circle (emissora do USDC) continuam disputando a liderança do mercado de stablecoins em dólar, com ambas demonstrando disposição de se aproximar do governo Trump. O centro dessa disputa já não é apenas o volume de emissão, mas sim quem conseguirá um posicionamento regulatório mais favorável quando a legislação americana sobre stablecoins for aprovada. Para usuários de cartões virtuais USDT, isso não é simples “fofoca do setor” — a moeda de liquidação do seu cartão, a perda cambial em compras internacionais e quais stablecoins os emissores aceitarão para recarga no futuro estão diretamente ligados ao resultado desse embate.
Análise editorial: como essa disputa afeta o seu cartão
A grande maioria dos principais cartões virtuais USDT — incluindo o MPCard, nossa seleção editorial, além do Bybit Card e do RedotPay — utiliza o USDT como moeda-base padrão para recarga e liquidação. A liderança da Tether em liquidez on-chain e profundidade de mercado nas exchanges é exatamente o que sustenta as taxas de câmbio estáveis na recarga desses cartões.
Em termos de janela temporal, veja o que esperar:
- Em 7 dias: nenhuma mudança perceptível. O USDT permanece como moeda padrão de recarga; transferências on-chain e liquidações continuam normalmente.
- Em 30 dias: se houver sinais claros de avanço na legislação americana sobre stablecoins, alguns emissores com foco no mercado dos EUA poderão mencionar em comunicados a adição de canais de recarga em USDC — mas isso significa “mais uma opção”, não “substituição do USDT”.
- Em 90 dias: vale observar se os emissores ajustam as taxas de recarga por stablecoin. Se o USDC conquistar uma posição regulatória mais clara, alguns cartões poderão oferecer taxas menores para recarga em USDC como forma de diversificar o risco regulatório.
Em outras palavras, essa disputa é neutra a levemente positiva para você no curto prazo — ter mais uma stablecoin regulamentada como opção só representa mais um caminho de entrada para o usuário. O que realmente exige atenção é se algum cartão interromper unilateralmente a recarga em USDT, e até o momento nenhum cartão mainstream apresenta essa tendência.
Paralelo histórico: a lição do descolamento do USDC em 2023
Para avaliar o rumo dessa disputa, o evento mais revelante foi o descolamento do USDC em março de 2023. Com a quebra do Silicon Valley Bank, a Circle divulgou que parte de suas reservas estava depositada naquele banco, e o USDC chegou a cair abaixo de US$ 1, recuperando a paridade dias depois com a intervenção do Fed. Esse episódio deixou claro um ponto: o risco das stablecoins não está em “qual é maior”, mas em “onde as reservas estão guardadas e se podem ser resgatadas”.
A diferença desta vez é que o foco da disputa saiu de “segurança das reservas” e passou para “posicionamento regulatório”. Em 2023 foi uma resposta passiva a uma crise bancária; em 2026, a batalha é pela conquista ativa de um ambiente legislativo favorável — e ambas se aproximam de Washington. O que permanece igual é que, para o titular do cartão, a diversificação continua sendo o único hedge confiável: não deixe todos os recursos parados por muito tempo em uma única stablecoin ou carteira de um único emissor. Essa lição de 2023 continua válida.
Impacto regulatório: a zona cinzenta antes da aprovação da lei
O status legal das stablecoins nos EUA ainda está na fase de “estrutura em andamento, detalhes indefinidos”. Isso significa:
- Claramente permitido: manter e usar USDT/USDC para recarregar cartões virtuais e fazer compras do dia a dia não é proibido na maioria das jurisdições.
- Zona cinzenta: a relação de conformidade dos emissores com o regulador americano ainda está sendo moldada, e os detalhes legislativos podem mudar a estratégia de abertura dos emissores para usuários nos EUA.
- Atenção às regras locais: os limites de conformidade dos cartões de stablecoin dependem muito do país onde você está. Usuários nos EUA podem consultar o guia de conformidade americano; para usuários da Ásia-Pacífico, os requisitos fiscais e de declaração variam — consulte a página do seu país, como conformidade no Japão ou conformidade em Hong Kong.
Lembrete importante: a disputa Tether vs Circle altera a estratégia dos emissores, não a legalidade do uso pessoal do cartão. Não interprete uma notícia sobre emissores como se o seu cartão fosse ser alvo direto de fiscalização — são duas coisas distintas.
Pontos-chave a acompanhar daqui para frente
- Próximo passo da legislação americana sobre stablecoins: qualquer data de votação de projeto de lei se refletirá imediatamente nas variações de participação de mercado da Tether e da Circle.
- Próximo relatório de transparência da Tether: qualquer ajuste na estrutura de reservas é a fonte primária para avaliar a estabilidade de longo prazo do USDT — acompanhe pela página oficial de transparência da Tether.
- Comunicados dos principais emissores sobre moedas de recarga: fique atento se o Bybit Card e outros adicionarão canal USDC ou ajustarão taxas.
- Variação na diferença de capitalização entre USDC e USDT: se a diferença continuar diminuindo, indica que a estratégia regulatória da Circle está funcionando e pode influenciar ainda mais as escolhas dos emissores.
Recomendações editoriais
Ações concretas para cada situação:
Usuários que já possuem cartão USDT (MPCard / Bybit Card / RedotPay)
- Nenhuma ação necessária. A recarga e liquidação em USDT não são afetadas; continue usando normalmente.
- Não há pressa em converter os fundos para USDC — a legislação ainda não foi aprovada, e trocar de moeda agora só gera taxas desnecessárias.
Usuários planejando solicitar um novo cartão
- Pode solicitar normalmente; não é preciso adiar por causa desta notícia.
- Na hora de escolher o cartão, priorize taxas e conformidade local, não “qual stablecoin é suportada” — atualmente os canais USDT dos principais cartões são estáveis. Consulte o Top 5 de cartões USDT em 2026 e a comparação de menores taxas.
Detentores de longo prazo com valores expressivos
- Siga a lição do descolamento de 2023: distribua entre carteiras de diferentes emissores e evite manter grandes volumes de USDT por tempo prolongado em uma única plataforma.
- Acompanhe os relatórios de transparência da Tether e os marcos legislativos americanos como referência para ajustar sua estratégia.
Em resumo: esta é uma disputa de mercado e regulatória entre emissores que atualmente não gera nenhum impacto negativo no uso diário do seu cartão, mas que vale incluir como critério de observação regular ao escolher um cartão — quais stablecoins o emissor suporta e como define suas taxas.